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Eu tive um sonho, vou te contar, eu me atirava do oitavo andar...
Um sonho muito estranho. Não vou contar, porque como diria o carinha que pintou dorian gray, revela muito de mim. Mas vou resumir o sentimento que tomou conta do meu dia, e que sem dúvida revela algum tipo de amadurecimento interior. Isso tá parecendo texto de site exotérico, se eu descer mais um nível nas minhas reflexões poderemos entrar no surpreendente terreno da auto-ajuda.
Voltando ao sonho, ele me lembrou algo que uma pessoa me disse esses dias. Que o inconsciente arruma algum jeitinho de liberar você de certos traumas e culpas que estão ali incomodando como uma pedrinha no sapato. Foi exatamente isso que aconteceu comigo, símbolos que desmistificaram algumas impressões de mundo antigas que eu tinha e que tavam martelando um pouco minha auto-estima com culpas sem sentindo. É isso aí, Jung correndo nas minhas veias.

Escrito por Nina às 12h41
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Seqüelas Alienígenas de Barra Grande.
Se em barra grande, fazia um calor infernal de noite, meu quarto tem ar condicionado. Se em barra grande a gente dormia num colchão bizarrinho, minha cama é o melhor lugar do mundo e eu tenho três travesseiros. Uhu, oi eu sou nina, a pessoa mais fresca de todo o planeta Terra.
Tirando esses pequenos detalhes, a viagem foi ótima. O problema é que acabei ficando com uma saudade impossível de ser saciada do meu quartinho e adquirindo possíveis seqüelas alienígenas. A mais incrível é a ausência total e completa de ressacas nesses últimos dias. Eu acho que meu fígado disse: - Eu desisto. Outra coisa curiosíssima que vem me acontecendo nos últimos dias é um sono incontrolável todas as noites a uma da manhã. E agora eu ando por aí enchendo o saco pras pessoas voltarem mais cedo e dormindo em carros alheios.

Sobre consumo cultural
Bem, como estou de férias a trocentos meses. Tenho que gastar um pouco meu tempo com alguma coisa útil além de msn. Fiquei viciadíssima num livro sobre um traficante da high society carioca dos anos 80. Viciada nele, viciada no enredo, e naquela vida de transgressão que a gente só vislumbra nos livros mesmo.
Finalmente, a multa que mofava na vídeo hobby, única locadora semi-descente perto da minha casa foi paga. Peguei 2 filmes e não gostei de nenhum. Não gostei de cronicamente inviável e não gostei de albergue espanhol. O primeiro porque é sociológico demais, e o meu momento é de procurar uma veia mais artística nas coisas. O segundo porque é americanizado, superficial, e o personagem principal não tem carisma.
Escrito por Nina às 12h20
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Muitos caras reclamam que a paquera tradicional deixa a mulher numa posição muito cômoda. O que eles não se dão conta é que existem milhões de nuances que a menina tem que pensar, nas mais variadas situações.
Primeira opção: ela não quer ficar com o cara.
Afinal de contas qual a fronteira entre ser indelicada e ser direta? Eu acho muito indelicado falar pra uma pessoa que ela não me atrai. Então é preciso ter todo um arsenal de desculpas para dizer não. Muita menina dá uma de desentendida, mas como sou péssima nisso sempre me dou mau, e muitas vezes termino as noites inventando as desculpas mais bizarras e nonsense possíveis.
Nada mais irritante do que disputar uma partida de tênis de mesa com um carinha.
Ping: Olha, eu tenho namorado ta? Pong : eu não sou ciumento
Ping : Eu gosto de outra pessoa. Pong : Eu te ajudo a esquecer
Ping: Não quero estragar a amizade. Pong: Nada vai mudar.
Ping : Não fico com ninguém sem conhecer bem. Pong: Vamos nos conhecer melhor
então?
Ping :Não tenho cabeça pra isso agora. Pong : Por que ? Me conta os seus problemas.
Ping : Ela é minha namorada. Pong: Sempre quis fazer sexo a três.
Ping : Não te quero, não insista, por favor. Pong: Também não precisa ser grossa
Eu até entendo o lado deles, tem muita menina que faz doce, que não tem certeza se quer ficar, e alguns mais tirados dão uma pressionada básica, fazem um jogo, seduzem, conquistam. Mas a diferença não é tão sutil assim, e não é tão difícil entender as mulheres, eu mesma, entendo várias.
Escrito por Nina às 12h52
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Segunda opção e última porque abobrinha tem limite: Ela quer, mas ele não dá em cima.
Quando eu era apenas uma reles adolescente, ficava nas maiores paixões platônicas. Quando éramos da quinta série queríamos os mauricinhos da oitava. No primeiro ano queríamos os pseudo-intelectuais do terceiro ( sim, porque nosso cérebro já era desenvolvido o suficiente pra aturar mauricinhos ). E aí ficávamos naquela, o cara passava, brancos súbitos, táticas da capricho frustradas para vencer a timidez e corações palpitantes, tudo isso por causa daquele mane que se achava. Educação cinderela dá nisso.
Mas os tempos mudaram, e agora, sabemos que somos pessoas interessantes, inteligentes, problemáticas e reais tanto quanto qualquer carinha no universo, por mais fodão que ele seja. O mito e a imagem que uma pessoa faz de si mesma, reside, principalmente, na crença que as pessoas depositam nele.
Sem mais divagações, quando o cara não dá em cima, são três as opções:
1) ele não está afim de você
2) ele é meio bananinha
3) o time dele perdeu e realmente ele não está com cabeça pra isso
E o que você, uma mortal acostumada a ficar coçando enquanto o cara corteja a dama? Eu acho, e eu to solteira, e o título do meu blog é um aviso, e conselho se fosse bom a gente vendia, e lero, lero, lero. Bem, eu acho que a menina pode seduzir um cara também, e quanto mais aborígene ele for, e quanto mais gostosinha você for mais fácil fica. Tomar uns goros, dar uma atenção especial e fazer aquele jeito de menina mulher funciona muito bem. Apesar de essa coisa de fazer gênero ser super cansativa. É domingo de manhã, meus cachos estão assumidíssimos e eu estou no maior estilo : Cansei de ser Sexy. Mas, quem sabe se for lua cheia, se o sarcasmo tiver tirado férias, se me chamarem de baby, talvez eu repense isso.
Nossa, hoje eu não consigo parar com as divagações, eu sei que eu prometi, mas se vocês prometerem não contar pra ninguém eu conto que não sou boa nessa coisa de promessa. Agora eu me pergunto: Será que alguém vai entender esse texto, será que eu fiz uma divagação dentro de outra divagação?
Voltando, se você levar uma esnobada básica, normal, todos somos adultos e todos podemos agarrar outras pessoas na frente das outras que nos maltrataram.
Escrito por Nina às 12h50
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Sobre novidades e Frustrações
É isso aí, na minha vida nada de novidades. Como diria metade e Renato só mais do mesmo. A coisa ta tão séria, que até o orkut resolveu se unir ao complô que murphy fez especialmente pra mim. Há dias que não recebo um scrap, ou algum testimonial novo, novos amigos. E eu que to sempre atrás de alguma coisa surpreendente na vida, ando meio anestesiada, meio desligada, meio alheia ao temporal.
A verdade é que eu sou uma eterna entediada, e como não tenho nada mais produtivo pra fazer, fico dando depoimentos patéticos sobre o marasmo na minha vida.

Candomblé Descontrol
Se bem que ontem fiz algo meio surpreendente. Fui num terreiro de candomblé. Desde que meu pai arranjou essa nova mania, digamos assim, eu fiquei meio intrigada. Daí eu tinha marcado com o pai de santo pra ir lá jogar búzios. Mas na hora do vamos ver o cara estava muito ocupado e não deu certo. No entanto, foi legal mesmo assim. O lugar tem uma certa energia. Eu sinto muito essas coisas, apesar das minhas convicções céticas. Além do mais vi o zeca pagodinho lá. Hehe, e tomei café da manhã com Flora Gil, vidinha sem noção essa minha.
A conclusão que ficou é que a juventude de classe média baiana, isso são vocês queridos amigos. Vive alheia a essa cultura negra e a essa raiz cultural tão imponente na Bahia. Filhinhos de papai e criados em colégios particulares, achamos que essa coisa de candomblé é algo subversivo. E graças a deus isso é verdade, ou vocês querem ficar numa igreja católica, sendo dominados e arraigados a uma cultura altamente conservadora?
Longe de mim propor um novo movimento antropofágico ou tropicalista pra vocês. Mas tudo que a gente não pode ser é mente fechada né? E vale a pena dar uma olhada, nem que seja só pra conhecer...

Escrito por Nina às 17h37
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Baladas, baladas e mais baladas. Resultado: uma gripe bizarra que me deixou altamente morgada. Já que não tive muito gás pra ficar na night hoje vou contar dois episódios surreais, porém ordinários, remanescentes da semana.
1- Domingo show do cascadura no tapioca. Um pileque básico causado por uma abstinência de uma semana na birita, pós ano novo e sua conseqüente ressaca homérica. Eu e Geo voltando de carona com Zeba. Todos na larica, fomos comer sushi no bom preço. Três da manhã, sushi no capô do carro e uma coca-light 2 litros consumida em meia hora. Os seguranças do mercado olhavam pra nós com caras estranhas. Por que será?

2-Quarta-feira, férias, aeroclube = caos. Adolescentes ouriçados com hormônios fora de controle desfilavam pelo shopping. Do nada um refletor cai na cabeça de um cara que tava na fila pra ver o mesmo filme que eu . Não sei se ele ta bem, só que o descaso às vezes é um absurdo. Anyway, o filme é até legal. Não consegui entrar muito no clima, porque as pessoas eram extramamente aborígenes, e ficaram gritando toda a bosta do tempo. Agora to com medo de ir na cozinha. Legal isso, não me diverti na hora e fiquei traumatizada depois. Bah, esses pirralhos me pagam....
O grito... 
Escrito por Nina às 05h33
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Um olhar ácido demais a respeito de uma saída blasé.
Saí de casa. Nada me estranhava mais do que a claridade do dia. Esse céu azul, meninas de calça jeans, e toda essa porra de produtividade. O mar há tempos não me diz nada. Olho e é tudo tão vazio. Não consigo suspirar. O mar é para mim um objeto estático, presto atenção nas cores da cidade e como a luz pode ser tão diversa todos os dias. Tudo ultimamente é só vislumbre. Ingenuidade, onde foi que vc se meteu?
Eu olho a baía de todos os santos, vejo o clube de gente cheia da grana. E aqueles carros de estrada para andar na cidade. Eu penso em como os ricos são tão provincianos, todo aquele discurso sobre a burguesia passa a fazer sentido. Espero meu ônibus observando as pedras. Descubro que esqueci meu livro, que droga. Torço pra ninguém sentar do meu lado. No ônibus existem táticas e regras sociais implícitas sobre quem senta do lado de quem. Sempre do lado de alguém do mesmo sexo, mais ou menos da mesma idade e da mesma classe social. A última coisa que as pessoas geralmente querem é se sentirem coagidas e nós como somos bem babacas nos sentimos coagidos por praticamente tudo. Individualismo e Séc XXI na veia.
Shpping nas férias. Me sento e observo os passantes. Todos se vestem igual e querem provar algo. Adolescentes me causam repulsa. Talvez por eu ter vivenciado essa fase a pouco tempo acho todas essas afirmações clássicas da idade muito patéticas. Assim como eu acho os homens que querem se afirmar falando alto patéticos às vezes. E eu imersa na minha arrogância acho que sou diferente e que tenho alma de artista.
Escrito por Nina às 18h15
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Um poeminha legal de uma escritora que eu gosto.
Solidão que tanto temem Que tanto ignoram o bem que faz Sozinha não minto, não finjo Não causo nenhum escarcéu Sozinha não maltrato, não disfarço Não há pesquisa que me sonde Sozinha não retruco, não provoco Não deixo ninguém sem resposta Sozinha não julgo nem condeno Não trato ninguém como réu Sozinha não grito, não rogo praga Não renego meu deleite Sozinha não trapaceio, não peco Não falto nem chego atrasada Sozinha não sumo, não volto Não tenho presença notada Sozinha eu sou quem eu posso Sozinha eu faço o que quero Sozinha não há céu que me rejeite
Martha Medeiros

Escrito por Nina às 03h51
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Hum, o que há de novo no from?
Finalmente a vida ganha ares de realidade para mim. Ando bebendo menos, sendo menos impulsiva e coisas do gênero. Estou engajada em arrumar meu quarto, em escrever, e botar uma certa ordem nas coisas.
Estou lendo budapeste e adorando. Típica visão masculina de mundo, assim como Rubem Fonseca. Não sei explicar muito bem essa minha constatação. Acho que são as divagações que os autores fazem sobre a vida. Elas são mais frias, mais comodistas. Não é que elas sejam menos profundas ou que a visão de mundo da mulher seja mais verossímel, é apenas diferente para mim.

Também tenho curtido bastante minha solidão. Eu durmo, penso, leio e me sinto muito bem. É surpreendente dizer isso, mas eu ando com preguiça de grandes farras. Hoje é sexta-feira e após várias frases intimidantes no estilo: você vai ficar em casa hoje? Fiquei. Fui no porto ver o show da Ronei Jorge e depois voltei para minha casinha, incólume.
Escrito por Nina às 03h30
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Um texto maricas de uma autora não menos maricas.

Quando é que se sabe que o amor acabou? O amor acaba quando não acordamos mais pensando, quando não dormimos mais pensando. O amor romântico para mim acaba no mesmo momento que a paixão. Acaba quando começamos a competir, a apontar pequenos defeitos na frente de todo mundo. O amor acaba quando se deixa de admirar. Quando nos sentimos sufocados. Nada é mais revelador do que aquela preguiça de lutar, de conquistar, de sair só os dois.
O amor nunca acaba ao mesmo tempo para os dois. E aquele que ficou no meio do caminho, que fez mais planos, que estava mais disposto, que era mais sonhador fica lá a ver navios. Quando o sentimento não morre pra você primeiro é hora de botar a cabeça no lugar e tentar esquecer.
E como que se esquece alguém. O clichê indicaria o tempo, mas muitos de nós não têm paciência para aguardar uma outra estação. Eu acho que quem não quer ficar se mordendo em casa ou perdido por bares tem que lutar contra o passado. Daí entram em ação pequenas técnicas psicológicas que todo mundo desenvolve para momentos críticos.
Eu faço as coisas mais malucas do mundo, algumas inofensivas, outras meio egoístas. Pinto ou corto meu cabelo. Ás vezes compro alguma coisa. Penso nos defeitos, nas coisas ruins. Saio de casa, fico com alguém que eu nem gosto muito. Tenho uma técnica ótima: paro de ouvir música ou de ver qualquer coisa relativa a romantimos. Só vejo séries ácidas e filmes de ação. Porque quando você se sente triste mesmo, é como se fosse a morte de algo, e se você possui uma certa sanidade, a última coisa que você quer é sentir aquele soco no estômago com mais força.Enfim eu até faço algumas burradas. Mas chega um dia que eu digo: Ufa! Não penso mais. Não me empolga mais. Não me arrumo mais pensando se ele vai estar lá. Exorcisei.
Mas a vida nem sempre é justa. Muitas vezes, você simplesmente tem muita dificuldade de esquecer. E chega a duvidar se um dia você não vai mais tomar daquele café amargo. Eu acho que esse dia sempre chega, mas quem sou eu pra falar o que cada um sente?
Outras vezes aquela pessoa que você fez um esforço enorme pra esquecer se apaixona por você. E aí? Como reaver algo que você mesma matou? Como sentir aquela expectativa de novo? Seria possível? O problema é que não se força o amor. A gente pode até forçar pra esquecer. Mas para se apaixonar de novo é muito mais complicado. Não existe técnica, não existe nenhuma receita prática para sentir frio na barriga.
Escrito por Nina às 01h00
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Um dos melhores momentos do ano. Um dos melhores dias do ano. Retrospectiva do ano tomando pina colada com geo no mahi mahi. Concluímos que esse foi ano muito bom. Bom, no sentido de conhecer gente interessante. Bom no sentido de curtir pra caramba e de ter vários momentos legais com meia dúzia de paqueras. Momentos legais que demos risada das coisas ridículas. Foi bom ter se apaixonado, depois se desvencilhar. All we need is love. All we need, sometimes is also peace.
Um ano que em muitos sentidos eu voltei pra um ponto de partida. Voltei pra a menina que eu sempre fui. E por um lado, é muito legal saber onde estou. Agora posso ser junkie a vontade e cometer os mesmos erros. Mas sei que estou cometendo porque quero e não porque me sinto pressionada.
Foi legal ter entrado na faculdade. A facom é sem dúvida um mundo a parte. Já que eu sempre me senti meio a parte, me diverti bastante lá. Estudar num lugar que a porcentagem de mauricinhos é mínima e que a de loucos é bem grande é muito interessante. Fazer algo que você escolheu também é outra vida.
Sem mais divagações. Hoje foi um dia bom principalmente porque tive um momento com a minha mãe. Aluguei procura-se amy e vi com ela. Comendo pipoca e tomando cerveja. Já tinha me esquecido como eu gostava desse filme. Eu não passo de uma goiaba que gosta de comédias românticas. Um dia de ficar feliz com pequenas coisas. Algo que eu não faço a muito tempo. Espero que 2005 tenha mais momentos assim, ou que eu aprenda a apreciá-los melhor.
Escrito por Nina às 00h43
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Acontecimentos surreias de um domingo blasé
Fui comer pizza com um amigo. Domingo a noite, várias famílias reunidas. Maridos barrigudos e crianças correndo nos davam asco. Conversávamos sobre o casamento. Eu dizia que era uma instituição que reforçava o machismo. Primeiro porque o pai leva a mulher ao altar pra entregar ao marido. Ou seja, a mulher precisa de um protetor social. Segundo: a mulher casa de branco, significa que ela tem que ser virgem e pura para ganhar afirmação social. Ele dizia que eu era paranóica e que as pessoas se casavam sem mesmo pensar no significado dessas coisas. Ele achou que ganhou a discussão, mas eu estou certa que fui eu. Hehehe
Eis que no meio daquele povo todo, cujo destino já estava traçado. Mesa redonda domingo a noite, mulher botando as crianças pra dormir, acontece um fato surreal. Estávamos sentados numa mesa daquelas para seis pessoas. Só que o restaurante tinha muitas mesas vazias. Do nada, um cara pergunta se podia pegar uma cadeira vazia. Assim que nós falamos que sim, ele sentou na nossa mesa. Aliás, não foi só ele, a mulher com cara de bolacha maria e o filho com cara de guri mimado. Não falaram nada, nem licença pediram. Até a garçonete ficou espantada e perguntou se a gente conhecia. Nós pedimos a conta e fomos embora. Mesmo porque a gente já tava indo mesmo. Mas que foi surreal foi.
Escrito por Nina às 20h10
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Fui na perini hoje. Crianças gritando e donas de casa ávidas por fios de ovos. Músicas natalinas me irritavama profundamente. Em algum momento da minha vida passei a achar o natal deprimente. Essa coisa de ter família grande e passar o natal sozinha talvez deixe agente um pouco ácido.
Escrito por Nina às 02h13
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O amor pode ser muitas coisas. Decoração fashion, flores artificiais, verde limão e roupas modernosas. Yoga, orkut, restaurante japonês da moda. Dançar bossa nova com louge a noite inteira músicas somente com uma garrafinha de água. O amor pode ser tudo, menos cool.
O amor é ver pela primeira vez uma estrela cadente. É encontrar alguém que você sempre vê e ter um papo inusitado. Se sentir inspirado com uma comedia romântica às 4 da manhã. Amor é achar uma grana numa agenda, seu primeiro amor no orkut.
O amor pode ser tudo, menos previsível.
Amor é quando sua mãe está grávida de novo, quando arrumamos os livros,
quando encontramos velhos bilhetes e fotos. É a primeira impressão de uma cidade. É uma risada espontânea por um motivo banal. O amor são as plantas do jardim botânico, um passeio na floresta da tijuca ouvindo cazuza. O amor também é singelo.
Amor é ter preguiça de entrar no banho, e depois preguiça de sair dele. É ir pra balada arrastada e depois querer que a noite dure 1 semana (ela nunca dura). Amor é a criança que quer ficar assistindo filme de terror até tarde. É derramar uma lágrima pra pegar um avião de volta. Amor é não querer ir embora.
Escrito por Nina às 02h12
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Perdi a esperança. E é Natal ( Nina Lemos - Escritora da revista TPM)
Ps: É triste, mas esse ano eu me sinto exatamente assim...
O Natal é a época da esperança. Bem, isso pode fazer sentido para quem tem religião, mais precisamente para quem é católico. Eles acreditam que Jesus nasceu e aquelas coisas que nunca fizeram sentido para mim. Por mais que as freiras da escola insistissem. Também faz um pouco de sentido quando você é criança (de classe média). Porque aí é muito simples. Você tem esperança de ganhar aquele presente que pediu e, de fato, o recebe. Talvez todas as suas futuras decepções sejam fruto desses momentos, atenção. Na vida adulta, você pode ter se comportado bem o ano inteiro e trabalhado muito. Só que ao invés de recompensada você leva uma rasteira.
E você perde a esperança.
Enquanto isso o mundo canta que é época de celebrar. Aquelas luzinhas acesas só te lembram que você, nesse momento, é um ser vazio, triste e decepcionado. O inferno é aqui e agora.
Você tenta se animar. Sai para comprar presentes de Natal, porque as pessoas não estão preparadas para que você chegue na hora da ceia e diga: "olha, esse ano eu não comprei porra nenhuma porque eu estava sem esperança". O mundo não parou. Parou só para você, sua infeliz.
Tentativa de melhorar o domingo horroroso: ver Entreatos, o filme do Lula. Você acha que vai te fazer bem, porque, pelo menos ali, a esperança venceu o medo! Você chora no filme. Mas sai de lá arrasada porque, no seu caso, você está é morrendo de medo de não recuperar a esperança há tempo de agüentar a festa de firma, o aeroporto cheio e a fatídica noite de Natal. Morta de medo. Medo que gela e dói.
E se eu não recuperar a esperança nunca mais.
"Eu te entendo, mas vai passar", diz a mãe pelo tefone.
"Que merda", dizem os amigos que você ama.
E você não diz nada.
Só resta gritar, como diria Rita Wainer: " Esperança, deusa enganadora!". Deusa filha da puta que me abandonou justo no final do ano! Esperança, você vai ver!
Escrito por Nina às 14h17
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